sábado, 23 de maio de 2015

O ciclo das estações

PRIMAVERA

Nessa história o ciclo inicia na primavera, a estação onde tudo se renova, os pássaros cantam em novos tons e as flores brilham novas cores. Três personagens, então velhos, relembram a sua primeira primavera juntos, aquela que compartilharam o quintal da infância brincando e aprendendo  a ser amigos. As lembranças o fazem embarcar num carrossel que os levam ao quintal da infância onde todos podem voltar a ser criança.

O menino Tom é curioso pelos sons, principalmente pelo cantar do Sabiá, ele busca mergulhando em tons graves e agudos um tom certo para sentir. Tarsila encantada pelos movimentos do Sabiá no ar corre para tentar desenha-lo e acabam brincando juntos de desenhar no céu. Durante a brincadeira corre por todos os cantos do seu quintal que tem laranjeiras, nuvens coloridas e muitas formas entranhas que circulam pela loucura de sua mente. Já Cecília é uma menina curiosa e de olhos bem abertos para abraçar o mundo. Ela quer saber se o Sabiá é mesmo sábio. No seu quintal existem muitas palavras novas, velhas e inventadas. Essa menina combinadora de palavras é tão romântica que logo se encanta por esses dois personagens que aparecem no seu quintal, Tom e Tarsila, e propõe um convite a amizade.

VERÃO

No verão tudo começa a esquentar com brincadeiras de piquenique, mergulho no rio azul e uma parada para um delicioso picolé. Está na hora de viver o mundo do "C", lá Cecília inventa uma nova combinações de palavras e cria Carolina, Tata e Tom brincam pelas colinas e os colares de Carolina. Tom apaixonado pela musicalidade das palavras que Cecília combinou e Tata eufórica pelas imagens que montou embarcam num navio em rumo a Ilha CecÍLHA. 

Esta ilha é preenchida por sentimentos que colore cada grão de areia, os sonhos são protegidos pelas guardiãs borboletas e tesouros de muitas palavras são encontrados. Minha nossa quantos sentimentos em forma de tinta para colorir cada detalhe dessa ilha, é tanta tinta, tanta tinta, tanta tinta...

É claro que logo Tarsila invocou de ser um pincel e chamou Cecília e Tom para serem suas tintas. E dessa brincadeira nasceu uma bossa e uma linda bailarina.
São muitas tintas de tantos tons que dá para colorir o mundo. É quando Tom propõe de levar todas as brincadeiras desse quintal para outros amigos em outros quintais.  Quem não tem ferramenta de pensar inventa, os três amigos inventaram um trem de sons para passear por vários quintais relembrando tudo o que viveram naquele verão.

OUTONO

Durante essa longa viagem de trem a paisagem muda, o verão começa a ir embora, o vento frio toma conta dos dias. Mas o três amigos não querem deixar para traz a alegria de viver aquele verão, juntos plantam seus sons, suas palavras e sua cores para criar raízes, crescer com galhos fortes que durem a eternidade nesse quintal chamado Brasil.

Porém  percebem que aquela semente não se transformará numa árvore de um dia para o outro. O clima e o tempo aliado com o conflito de crescer e de ver e viver o mundo diferente provocam mudanças na relação do trio de amigos, a individualidade toma conta de cada um, e o outro se torna desinteressante. Aquela amizade pura vivida intensamente no verão não existe mais. O mundo fica de cabeça para baixo, vira uma grande casa da desordem e pede outras urgências.

INVERNO

É o relógio que marca o dia e a noite nesse rigoroso inverno da vida desses três amigos. Tom, Tata e Cecília sem perceber se perderam no mundo, esqueceram seus quintais, nunca mais ouviram o canto do Sabiá, a vista perdeu as cores e acabaram sem palavras.

Mas a esperança daquela semente enfim florescer os fazem perceber o mistério sem fim dessa vida,  e voltam acreditar no equilíbrio da natureza e na pureza da amizade. Vamos voltar! Vamos voltar a ser amigos! Vamos reencontrar o nosso quintal!

PRIMAVERA

O ciclo dessa história se fecha nessa nova primavera, que será percebida somente por aqueles que também habitam o quintal da infância. Uma primavera diferente onde finos clarins soam debaixo da terra anunciando a alegria de VIVER. Essa é a estação eterna do quintal do nosso coração, porque a sua efemeridade deixa tudo mais bonito.

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